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MARAVILHOSA, Rio de Janeiro, Brazil
Diante de tanta contradição da vida, aprendi que devo ter alto astral acima de qualquer coisa!Eu nunca imaginei que seria pedagoga. Não me preparei para isso. Ela chegou sem que eu preparasse o seu caminho e por isso fiquei tão apaixonada. Essa é para mim a profissão mais linda e digna que existe... Sem sonharmos e idealizarmos algo melhor, nunca poderemos alcançar um diferencial.Essa é minha ideologia e não posso deixar que apaguem por não acreditarem que existe solução para a educação do nosso país,"Não,podemos viver sem ideologias, ter sucesso sem acreditar em valores fortes, concretos,lutar por nossos objetivos sem acreditar que eles serão alcançados,almejar uma vida de realizações soterrando nossas verdadeiras crenças.Tenha suas ideologias muito bem definidas e paute sua vida sobre elas. Não tenha medo do que os outros vão pensar se você está realmente convicto no que acredita ser o certo,não tenha medo de fracassar embasado nelas, aprenda que neste mundo nada é absolutamente ruim ou bom e que sempre,terá que defender suas escolhas e pagar por elas." Eu estou consciente pela escolha que fiz na minha vida profissional,e você?

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Este espaço é algo criado por mim para dividir, com todos que, assim como eu, adoram de fato o que fazem dentro da educação, um pouco do que pesquiso na internet e também do que tenho de material voltado à esta área que de fato sou louca de paixão.

Peço desculpas pela demora em atualizar os conteúdos.

No mais, a todos que visitam este blog, espero que até o momento tudo que há de conteúdo esteja sendo agradável.

Com carinho,

Lu Moraes
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“Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro horas da tarde. Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador, permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática”

(Paulo Freire, em “A educação na cidade”)

“Ser professor é um privilégio. Ser professor é semear em terreno sempre fértil e se encantar com a colheita. Ser professor é ser condutor de almas e de sonhos, é lapidar diamantes" Gabriel Chalita

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Eu fico com a pureza da resposta das crianças: a vida é bonita.
Viver e não ter a vergonha de ser feliz.
Cantar e... cantar e ...cantar a eterna beleza de ser aprendiz.
Eu sei que a vida devia ser bem melhor. E será.
Mas issoo impede que eu repita: é bonita, é bonita, é bonita!
(Gonzaguinha).

"Há os que adquirem conhecimento pelo valor do conhecimento - e isto é vaidade de baixo nível. Mas há os que desejam tê-lo para edificar outros - e isto é amor. E há outros que o desejam para que eles mesmos sejam edificados - e isto é sabedoria." - (Bernardo de Claraval)
"Todas as postagens que não são de minha autoria é dado o devido crédito e citado a fonte, até porque quando se copia algo de alguem a intenção não é fazer plágio, e sim divulgar as informações para um maior número de pessoas favorecendo assim o conhecimento."
Lucia Araújo/cc: Luciana Moraes
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ensino para surdos: Um debate para o qual a sociedade tapa os ouvidos

Um debate para o qual a sociedade tapa os ouvidos
Joyce Trindade
Muito têm se falado sobre o ensino no Brasil, mas o que pouco ainda é tratado nestas discussões é a educação para pessoas portadoras de necessidades especiais. Geralmente, esse grupo é esquecido quando se fala em ações para qualidade ou em investimentos prioritários. Uma demanda para que a sociedade não ouve e que leva milhares de crianças e jovens em todo o país a, quando chegam a ingressar no sistema educacional, enfrentarem dificuldades diversas, seja do ponto de vista pedagógico ou da própria acessibilidade às escolas.

O quadro não é diferente, na educação para portadores de surdez. Pelo país, uma das questões colocadas é até que ponto nossos professores estão efetivamente preparados para lidar com este tipo de estudante. Até por isto, o assunto divide opiniões. No meio acadêmico, é possível encontrar tanto pesquisadores que defendem turmas específicas para crianças surdas, como estudiosos que sustentam
justamente o contrário: a inclusão destes estudantes em escolas regulares.

Em pelo menos um ponto, porém, há consenso: Todos acreditam que a Educação para surdos porém, apesar de concordarem com a melhora já alcançada na questão, são unânimes ao enfatizar a necessidade de qualificação para trabalhar com os surdos e com crianças com deficiência de forma geral. Exatamente, por possuírem necessidades diferentes, estes alunos também devem ter um ensino diferenciado. E para isso, é preciso adaptar e capacitar professores e profissionais para esta realidade.

A psicopedagoga, doutora em Psicologia Social e professora adjunta de educação inclusiva da UniRio, Aliny Lamoglia, acredita na educação especializada de surdos. Para ela, estes estudantes têm necessidades específicas e muito diferentes quanto ao aprendizado e os professores não estão preparados para lidar com essa situação. "O governo não consegue oferecer a capacitação necessária aos docentes para lidar com os surdos. Além disso, se crianças surdas estiverem junto com as não-surdas, não é possível atender às necessidades de cada aluno. É preciso adaptar o currículo pedagógico a estes estudantes", defende.

Uma criança ouvinte aprende através dos sons, o que não acontece com uma criança surda. Por isso, para a psicopedagoga, o ensino para estes alunos não pode se pautar pelo mesmo método direcionado às outras. "Essa é uma forma de segregação. Mas é uma segregação temporária, que tem como finalidade a inclusão na vida. É uma segregação inicial, que permite, posteriormente, um melhor relacionamento na sociedade", defende.

Já para a coordenadora geral da política pedagógica da educação especial do MEC, Cleonice de Pellegrini, o governo tem trabalho para que a inclusão dessas crianças se dê o quanto antes dentro das salas de aula. Para a especialista, a Constituição garante o direito de ir e vir de todo cidadão. Dessa forma, não é admissível que as pessoas sejam segregadas ou isoladas. "Necessidades específicas todos nós temos. Se começarmos a separar as pessoas por grupos, vamos ter uma sociedade de guetos", afirma.

Há quem defenda ações intermediárias a essas, através da aprendizagem de surdos no ensino regular, mas com a intermediação de intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Esse é o método proposto pela professora do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) Vanessa Alves de Souza. Ela também acredita que, nas escolas regulares, os professores não são capacitados para ensinar pessoas com surdez. Daí a proposta de uma presença constante de um professor surdo, que seja fluente em Libras, para facilitar o aprendizado destes alunos.

"Nas escolas regulares os professores não têm domínio da língua de sinais e isso dificulta a aprendizagem. E, para que a criança seja fluente na Língua de Sinais, é preciso que tenha um professor que fala bem essa língua. É muito bom falar sobre essa questão de inclusão, mas isso só vai acontecer se a Língua de Sinais puder ser bem entendida pelas pessoas, principalmente dentro de sala de aula."
Políticas públicas são fundamentais para inclusão
A melhoria do espaço físico da escola e a implantação de programas de formação continuada para professores têm sido, segundo duas das principais vertentes para avançar na educação para portadores de surdez, segundo a professora Cleonice de Pellegrini. "Cerca de 25 mil escolas possuem uma Sala de Recursos Multifuncional, espaço onde os professores e alunos têm acesso a materiais específicos para cada
necessidade das pessoas com deficiência", explica.

Ainda segundo a representante do MEC, 56% dos alunos deficientes, no Brasil, estão no ensino regular, e não em instituições que tratam somente de surdos. Há dez anos, o índice era de 13%. Para Cleonice de Pellegrini, porém, a melhora deste índices também depende dos profissionais do setor, que devem buscar a capacitação oferecida pelo governo. "Muitos nem sabem que têm esse direito e, além disso, algumas prefeituras se negam a receber os recursos oferecidos pelo governo federal", afirma a educadora.

Tais políticas públicas, entretanto, ainda estão muito aquém do necessário e não têm sido percebidas por parte da população. Para a professora Aliny Lamoglia, essa recusa de ajuda dos governos estadual e municipal realmente acontece e demonstra o desconhecimento de quem está na gestão do governo. Porém, nem sempre o problema é a falta de interesse dos governos em receber as verbas.

Segundo a especialista, ainda há muita burocracia para solicitar estes investimentos. "Não é uma ação universal do MEC de garantir o acesso a universidade pública, por exemplo, às pessoas com deficiência. Essas ações de acessibilidade ainda dependem da iniciativa da instituição. O governo deveria ser mais pró-ativo", acredita a pesquisadora da UniRio.

Já a professora Vanessa Alves de Souza denuncia que a preocupação com a inclusão é centralizada em alguns estados como os do Rio de Janeiro e São Paulo, mas em regiões como o Norte e Nordeste, a situação ainda é muito complicada. "Leis já existem, mas ainda falta muita fiscalização", declara.

Quem também defende uma ação mais efetiva do governo com a situação atual do ensino público e particular, não só para portadores de surdez, como para os que têm outros tipos de deficiências, é o presidente do Sinpro-Rio, Wanderley Quêdo. O assunto, que afeta diretamente os professores, foi discutido no "Fórum de Educação e Surdez", realizado pelo Sinpro-Rio, no último dia 28 de agosto. "O ensino precisa de políticas de Estado e não de Governo", defende. O que se percebe, entretanto é que a cada quatro anos, a mudança de governo pode gerar, e normalmente proporciona, alterações de perspectivas e políticas públicas de verbas, prioridades e objetivos.

Outra questão que agrava ainda mais a situação dentro de sala de aula é que falta de articulação entre os governos, como também ressalta o professor Wanderley Quêdo. "Dessa forma, a distribuição e utilização dos recursos se dá de forma desigual. O professor municipal, que durante a manhã tem várias ferramentas de ensino, à tarde, ensinando para o estado, não tem nenhuma, ou vice-versa. É difícil para o este profissional lidar com isso. O governo deve mudar o quanto antes sua postura quanto ao ensino", alerta.
Professores também sentem dificuldades
Além das crianças, quem mais sente as dificuldades e carências do ensino para portadores de surdez são os educadores. Professora da rede estadual de ensino, Tenis Lima Reis não lida com crianças surdas. Porém, se tivesse de ensinar para alunos com este tipo de necessidade especial, ela afirma que não se sentiria preparada, por não saber a Língua Brasileira de Sinais. A professora nunca realizou qualquer curso de Libras.

"Acho que o governo poderia oferecer mais qualificação aos seus profissionais. Sou a favor da inclusão, mas o professor deve estar preparado para tal situação. Se este aluno for para uma sala de aula, onde ninguém sabe falar com ele, vai continuar excluído".

Já os professores Simone Ribeiro, Carla Marquês e Márcio Murta se relacionam com surdos fora de sala de aula e segundo eles, esse contato só é possível pois os próprios professores buscaram se qualificar e resolveram aprender a Língua Brasileira de Sinais. Para Márcio Murta também cabe ao professor aprender a língua com a qual vai falar com alguém, seja quem for. Por isso, o profissional deve, constantemente, procurar se especializar e renovar suas práticas pedagógicas.

Surdez em Números

Número de escolas (BR)
Ensino Fundamental - 152.251
Ensino Médio - 25.923
Número de escolas (RJ)
Ensino Fundamental - 7.544
Ensino Médio - 2.001
Escolas com alunos surdos (BR)
Escolas Comuns - 10.178
Escolas e Classes Especiais - 1 mil
Escolas com alunos surdos (RJ)
Escolas Comuns - 295
Escolas e Classes Especiais - 61
Escolas com alunos com deficiência auditiva (BR)
Escolas Comuns - 13.825
Escolas e Classes Especiais - 1.397
Escolas com alunos com deficiência auditiva (RJ)
Escolas Comuns - 890
Escolas e Classes Especiais - 160
Escolas com sala de recursos (BR)
Escolas Comuns  - 6.453
Escolas e Classes Especiais - 1.722
Escolas com sala de recursos (RJ)
Escolas Comuns - 613
Escolas e Classes Especiais - 250
Pessoas com deficiência nas escolas (BR)
Escolas Comuns  - 387.031 (60,5%)
Escolas e Classes Especiais  - 252.687 (39,5%)
Pessoas com deficiência nas escolas (RJ)
Escolas Comuns  - 17.621 (48%)
Escolas e Classes Especiais  - 19.066 (52%)
Pessoas com surdez nas escolas (BR)
Escolas Comuns  - 18.160 (59,3%)
Escolas e Classes Especiais  - 12.441 (40,7%)
Pessoas com surdez nas escolas (RJ)
Escolas Comuns  - 706 (37,2%)
Escolas e Classes Especiais  - 1.191 (62,8%)
Pessoas com deficiência auditiva nas escolas (BR)
Escolas Comuns  - 24.317 (75%)
Escolas e Classes Especiais  - 8.118 (25%)
Pessoas com deficiência auditiva nas escolas (RJ)
Escolas Comuns -  1.628 (57,8%)
Escolas e Classes Especiais -  1.187 (42,2%)

* Fonte: Censo Escolar 2009 (MEC / Inep)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Pedagogia das Diferenças: Um Olhar sobre a Inclusão

Autor: Brena Samyly S. de Paula, Élida Mônica S. da Silva, Karlianne Sousa Silva Falção e Marilia Moreira Pinho

Resumo

Nosso trabalho não pretende só definir a educação especial, mas descrever toda a sua evolução histórica e suas políticas sociais, afim de compreender melhor a origem da inclusão e o processo que engloba essa ação social, além de melhor entender como todo esse percurso acontece e o momento em que adquire o equilíbrio necessário para que o portador de necessidades educativas especiais adquira seu lugar no Sistema Educacional Brasileiro. Este trabalho é fruto de um seminário, apresentado na disciplina de Estrutura e Funcionamento da Educação Básica e de uma Pesquisa realizada na vasta literatura sobre este assunto. Depois desse estudo, temos consciência que a inclusão é um verdadeiro desafio para a escola brasileira em relação à qualificação de recursos humanos, que atendam as necessidades desses alunos no sistema regular de ensino, tendo a escola como um reflexo da vida social, a inclusão proporcionara o convívio com a diversidade, pois e na escola que aprendemos a ser cidadãos e a conviver com as diferenças. Promulgada em Setembro de 2008, o Decreto nº 6.571, determina que alunos com deficiência deverão estudar em classes regulares, o que torna o Brasil pioneiro em inclusão educacional.

Introdução

Como futuras educadoras, sempre houve em nós a preocupação em exercer um bom atendimento aos educandos portadores de necessidades especiais. Por isso começamos a observar a evolução da educação especial, a legislação e as políticas educacionais voltadas ao movimento de inclusão, que tem por objetivo inserir esses "alunos especiais" no sistema regular de ensino, a partir dessa observação elaboramos nosso trabalho baseado em um seminário apresentado na disciplina de Estrutura e Funcionamento da Educação Básica, semestre 2009.2, orientados pela professora da disciplina.

Tivemos a oportunidade de conhecer melhor a estrutura da educação básica e entender que a educação tem por objetivo o pleno desenvolvimento do educando seu preparo para a cidadania e sua qualificação para o mercado de trabalho, a educação especial é definida como uma modalidade de educação escolar, essa modalidade de ensino visa oferecer recursos educacionais e estratégias de apoio a alunos com necessidades especiais em todos os níveis de ensino (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio)

Percorrendo pelos períodos históricos notamos que os deficientes eram vistos como doentes e incapazes, sendo alvo de assistencialismo e não sendo vistas como pessoas dotadas de direitos sociais, inclusive do direito a educação. A LDB, lei de diretrizes e bases da educação nacional, lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996, traz orientações para as praticas pedagógicas, que orienta e regulamenta o aspecto legal na educação Brasileira, entre eles encontramos o capitulo V, referente à Educação Especial e que tem sua orientação nos artigos 58º à 60º.

O Ministério da Educação, trabalhando para assegurar a escola para todos, integrou-se as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, instituídas pela Resolução nº 02/2001, da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, visando uma atenção a diversidade na educação Brasileira. O Decreto-lei 6.571 de Setembro de 2008, coloca aos sistemas o desafio de construir condições para a inclusão, onde todas as escolas têm até o fim de 2010, para se adequar a atender todas as crianças e jovens com necessidades especiais na escola regular.

Segundo Mantoan (2008) "a Educação Inclusiva tem por objetivo entender e reconhecer o outro dentro de suas possibilidades", partindo desse ponto e importante compreendermos a diferença entre inclusão e integração, que por muitas vezes essas palavras são usadas como sinônimos. A inclusão obriga a se repensar no sistema educacional Brasileiro.

Resultados e Discussão

A nossa grande preocupação com esta pesquisa esta relacionada com desenvolvimento escolar dos alunos portadores de necessidades educativas especiais e a sua integração no sistema regular de ensino.

De acordo com o artigo 208, Inciso III da Constituição Federal, que se refere ao atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente, na rede regular de ensino. 

O direito à educação das pessoas portadoras de deficiência é uma conquista recente em nossa sociedade, sendo resultado de manifestações de grupos isolados, sendo seus direitos identificados como partes pertencentes de políticas sociais voltadas para a construção de alternativas na melhoria das condições de vida de tais pessoas.

Foi na Europa que surgiu os primeiros movimentos voltados ao atendimento aos portadores de deficiência, se transformando em medidas educacionais, que foram expandidas para outros países, inclusive o Brasil. Essas medidas Educacionais utilizavam de varias expressões para referir-se ao atendimento dessas pessoas: Pedagogia de Anormais, Pedagogia Teratológica, Pedagogia Curativa ou Terapêutica, Pedagogia da Assistência Social, entre outras, baseadas no sentido de Assistencialismo.

As primeiras manifestações sobre o atendimento a pessoas deficientes surgiram no Brasil, inspiradas em experiências na Europa e Estados Unidos, O século XIX foi caracterizado por algumas iniciativas oficiais e isoladas, A partir do século XX a "educação de deficientes" passou a fazer parte da política Brasileira, na qual podemos destacar três períodos o 1º de 1854 a 1956, caracterizado por iniciativas oficiais e particulares isoladas, voltados a alguns indicadores de interesse da sociedade, buscando atender a um beneficio em particular, o 2º de 1957 a 1993, marcada por iniciativas oficiais de abrangência nacional, onde o atendimento aos portadores de deficiência e assumido a nível nacional, pelo governo federal, com a divulgação de algumas campanhas, visando o assistencialismo e o 3º de 1994 em diante, tendo em foco movimentos a favor da inclusão de portadores de necessidades educativas especiais na rede regular de ensino.


A partir de 1961, destaca-se o inicio da lei de diretrizes e bases da educação nacional lei 4024, que no seu artigo 88º, reafirma o direito dos excepcionais à educação, onde deverá se integrar utilizando as mesmas situações do ensino comum. A lei 5692-71, em seu artigo 9º, reforça a existência das escolas especiais, contrariando o artigo 88º da lei 4024. O Conselho Federal de Educação, esclarece que a educação especial, não dispensa o tratamento regular, neste modo o Conselho, assumiu uma postura, onde a educação especial é vista como uma linha de escolarização.

Em 1977, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) em conjunto com o Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS), estabelecem diretrizes básicas para a ação integrada no atendimento a excepcionais, pelos órgãos subordinados, como o Cenesp (Centro Nacional de Educação Especial), a LBA (Fundação Legião Brasileira de Assistência) e INSS, Serviços de Saúde da Previdência Social e dos Serviços de Reabilitação Profissional, com o objetivo de aumentar o atendimento especializado nos aspectos médicos, psicossociais e educacionais.

Em 1986, o Centro Nacional de Educação Especial (CENESP-MEC), define pela portaria 69, apoio técnico e financeiro para instituições públicas ou particulares para a educação especial. A educação especial começa a ser uma modalidade da educação, que visa o desenvolvimento pleno do educando. 

No mesmo ano com o decreto nº 93.613 o CENESP é transformado na SESPE, Secretaria de Educação Especial.

A lei nº 7853, estabelece, 'normas gerais para o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiência e sua efetiva integração social'. (Mazzotta, 2005,p. 80), essa lei garante que portadores de necessidades especiais tenham seus direitos preservados e sejam integrados ao convívio social, esta mesma lei, reestrutura a CORDE, Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, como órgão autônomo, com recursos específicos destinados.

No ano de 1990 , a SESPE é extinta e a sua função é assumida pela SENEB, Secretaria Nacional de Educação Básica, a partir daí a educação especial passa a ser responsabilidade da SENEB, com essa alteração a educação especial se integra a estrutura de órgãos centrais da administração do ensino do MEC.

Em 1996, a nova LDB 9.394, estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, na qual o capitulo V, se refere à educação especial, nos artigos 58º a 60º. Em 2001 a partir da Resolução CNE-CEB nº 02-2001, foram instituídas as diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica, com o objetivo de se construir condições para a inclusão dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais no ensino regular.

O programa de educação inclusiva: direito à diversidade do MEC, teve inicio em 2003, com o objetivo de integrar os alunos com necessidades educativas especiais no sistema regular de ensino, e garantir meios para que essa inclusão aconteça, tanto na formação de gestores e educadores, quanto em e equipamentos, materiais pedagógicos e implantação de recursos.

A educação inclusiva teve inicio nos Estados Unidos, com a lei pública nº 94.142 de 1975. O movimento de inclusão visa integrar alunos com necessidades educativas especiais na rede regular de ensino, a inclusão defende que nenhuma criança seja separada da outra por apresentar alguma deficiência.

A inclusão surgiu aproximadamente em 1990, com base em documentos como a Declaração Mundial de Educação para todos (1990), a Declaração de Salamanca (1994), foi organizada pela UNESCO e pela Espanha, com o objetivo de organizar novas políticas e praticas na área das necessidades educativas especiais. É importante ressaltar a diferenciação de integração e inclusão, a visão integracionista o aluno com deficiência, só poderia ficar na escola regular se acompanhassem o ritmo da turma, já a inclusão defende que a escola regular se adapte a esse aluno e busque meios de desenvolvê-lo. Segundo Mittler (2003, pág. 161):

"cada escola encontrará obstáculos diferentes no caminho, porem todas elas acharão que as barreiras mais difíceis emergem de duvidas bastante arraigadas, mas não necessariamente expressas sobre se essa jornada de fato é valida."
A escola é um reflexo da vida social, se os estudantes vivem a experiência da diferença desde cedo, não terão muitas dificuldades de vencer os preconceitos, e o processo inclusivo possibilita que todos tenham seu lugar na sociedade. O modelo de escola inclusiva, precisa oferecer adaptações físicas, além de apoio pedagógico individualizado em paralelo as aulas regulares, as praticas de aprendizagem precisam ser reformuladas, para que todos os alunos aprendam ao seu modo, de acordo com o seu tempo.

O professor não pode recusar a lecionar para turmas inclusivas, mesmo que a escola não ofereça estrutura adequada, ele deve contar com uma equipe de atendimento especializado.

Uma sala de aula inclusiva deve se adequar e criar condições para que todos possam evoluir, moldando o conteúdo para o nível adequado de cada aluno, mas para isso é necessário que o professor tenha o conhecimento prévio da turma, levando em conta as particularidades de cada individuo. 

É importante analisar as práticas de inclusão em sala de aula, que se baseiam em flexibilizações necessárias e imprescindíveis para ajudar os alunos com necessidades educativas especiais, as principais são: a flexibilização do espaço que consiste em adequar o ambiente físico; a flexibilização do tempo, estabelece que os alunos aprendem de formas diferentes por isso e importante que leve em conta o tempo de realização de cada um; a flexibilização dos recursos, que consiste na busca de novos materiais e estratégias pedagógicas, facilitando a aprendizagem; a flexibilização dos conteúdos tem o objetivo de garantir que os alunos aprendam dentro de suas possibilidades. Essas flexibilizações levam os professores a estabelecer formas criativas de atuação, o que não beneficia só aos alunos com necessidades educativas, mas a todos em conjunto.

'A inclusão implica melhor qualidade de ensino para todos', afirma a professora da Unicamp Maria Tereza Égler Mantoan, fundadora do laboratório de estudos e pesquisas em Ensino e Diversidade.

Promulgada no ano passado pelo governo federal, o Decreto nº 6. 571, de Setembro de 2008, determina que alunos que apresentam alguma deficiência, terão que ser acolhidas nas classes regulares, o que torna o Brasil pioneiro em inclusão educacional. Esse progresso pode beneficiar alunos com alguma dificuldade de aprendizagem, Além de beneficiar o convívio com a diversidade.

Considerações Finais

A educação é um direito de todos os indivíduos, entretanto e importante ressaltar o novo papel da Pedagogia, voltada para 'educar as diferenças'. Segundo Mantoan (2003, p.5) 'educar é empenhar-se por fazer o outro crescer, desenvolver-se, evoluir'.

Precisamos trabalhar a educação, para que a escola construa um mundo melhor para todos e que inclua no seu convívio todos, independentemente de padrões de normalidade. Para que a escola seja base para uma verdadeira cultura de paz.

A presença do portador de necessidades educativas especiais na escola regular, inclusive nas classes comuns e um verdadeiro desafio para a escola brasileira em relação à qualificação de recursos humanos, que atendam as necessidades educacionais desses alunos, em qualidade e acesso.

Os avanços da Inclusão transformam a concepção tradicional, alterando as idéias de ensino especializado e exigindo mudanças na formação de professores e gestores, buscando novas formas de planejamento e organização pedagógica de recursos e propondo uma nova idéia do direito a educação.

A inclusão hoje está caminhando lentamente, mas essa transformação do sistema educacional brasileiro e necessária para que todos tenham acesso à educação.

Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica / Secretaria de Educação Especial. MEC; SEESP, 2001.

CARVALHO, Rosita Edler. Educação inclusiva:com os pingos nos is. 5ª edição. Porto Alegre. Editora Mediação, 2007.

MANTOAN, Maria Tereza Egler. Inclusão escolar- o que e? Por quê? Como fazer?. Campinas.2003.

MAZZOTTA, Marcos José da Silveira. Educação Especial no Brasil:Historia e Políticas Públicas.5ª edição. São Paulo. Editora Cortez, 2005.

MITTLER, Peter. Educação inclusiva:Contextos sociais. São Paulo. Editora Artmed, 2003.
Revista Nova Escola. Inclusão: Como ensinar os conteúdos do currículo para alunos com deficiência. Edição especial, nº 24. São Paulo. Julho de 2009.

STAINBACK, Susan & STAINBACK, William. Inclusão:um guia para educadores. Porto Alegre:Artmed, 1999. Tradução Magda França.

domingo, 19 de setembro de 2010

Classe Hospitalar Jesus completa 60 anos no atendimento a crianças

 

O período de internação das crianças no Hospital Municipal Jesus, em Vila Isabel, tem sido menos doloroso. Graças ao trabalho de professores da Classe Hospitalar Jesus, os pequenos pacientes ganham a companhia de livros, brinquedos e ainda podem relembrar o conteúdo que estavam aprendendo nas escolas regulares.

As aulas são dadas por professoras da Secretaria municipal de Educação numa sala de aula ou nos leitos da enfermaria do hospital, em dois turnos. Em parceria com profissionais de saúde, o apoio pedagógico é oferecido de acordo com a necessidade de cada estudante.

— Quando a criança chega à enfermaria, explico o trabalho. Faço contato com a equipe de saúde para saber se a criança pode ser atendida na sala ou no leito. O segundo passo é saber a escola de origem, conhecer o que a criança aprendeu e em que matérias ela tem dificuldade — explica a coordenadora da Classe Hospitalar, Elizabeth Ramos.

Com ares de escola
Completando 60 anos de trabalho e com o apoio de doações, a Classe Hospitalar deixou de ser fruto do esforço de uma professora, como começou, e ganhou ares de escola. Além de duas salas de aula para alunos do 1 ao 9 anos e da educação infantil, existe um pátio, parquinho, brinquedoteca e biblioteca.

O trabalho pedagógico é organizado em temas abordados a cada mês. Assuntos como a Copa do Mundo e a Semana Nacional de Trânsito são explorados com conteúdos de português, matemática, entre outras disciplinas.

— O hospital favorece o aprendizado das crianças, para que, quando elas voltarem a sua escola, não tenham perdas — afirmou a diretora do Instituto Helena Antipoff, Kátia Nunes, órgão ao qual os professores estão vinculados.

 
Para as crianças, é uma surpresa poder estudar enquanto cuidam da saúde.

— Eu estudava, quando estava lá fora (do hospital). É bom ter aula, porque não vou perder nada — afirma Milena Farias Pereira, de 9 anos, que trata de uma febre reumática que provoca paralisia.

A professora Karla Bastos está desenvolvendo com Yuri Lázaro, de 9 anos, que tem paralisia cerebral, uma forma de comunicação através de pranchas coloridas.

— Ele se identificou com a professora. O trabalho chama a atenção dele — contou a mãe de Yuri, Kelly Lopes.

Para a pediatra Elizabeth Parente, a Classe gera inclusão e ajuda no tratamento:

— Um hospital humanizado acelera a cura.
fonte: Jornal Extra


domingo, 29 de agosto de 2010

Special games

Um laboratório de aprendizagem organizado por educadores de forma colaborativa. Jogos e softwares utilizados como recursos para o desenvolvimento de habilidades afetivo-emocionais, motoras e cognitivas como as funções mentais superiores e as estruturas de pensamento, especialmente de pessoas com deficiência intelectual.
O blog “Special Games” é um espaço organizado por educadores de forma colaborativa com a finalidade de socializar e indicar materiais – jogos e softwares – que visem ao desenvolvimento de habilidades afetivo-emocionais, motoras ou cognitivas, como as funções mentais superiores e as estruturas de pensamento.

                              

Com surdo ninguém tem paciência - Indicação de livro

O que significa Eletrofisiologia da Audição e Emissões Otoacústicas? 

O autor do livro, o otorrino Luiz Carlos Alves de Souza, é quem explica. A Eletrofisiologia da Audição é o exame que oferece estímulo ao paciente através de eletrodos. Eles (eletrodos) captam os potenciais elétricos, a atividade bioelétrica do nervo auditivo e da cócleia (o canal interno do ouvido) e apresentam os resultados.

Já a Emissão Otoacústica é o conhecido teste da “orelhinha”: o som que entra no ouvido reverbera na cóclea, emite uma atividade acústica mecânica captada pelo computador através de um software. É o teste que detecta surdez infantil. Se houver problema, a criança é encaminhada para um programa especial de reabilitação auditiva. A chance de recuperação é de quase cem por cento, quem não responde ao uso de aparelho, é submetido a implante coclear, uma espécie de ouvido biônico.

De uma a três crianças em cada mil nascem surdas, que segundo Alves Souza constitui-se no defeito congênito mais prevalente no homem. É provocada por ação genética, hereditariedade ou virose no pré-natal. “Deve ser diagnosticada até os três meses de vida. Depois disso, fica complicado, perde-se o contato com essa criança”.

“Surdez causa rejeição”
 
“Ninguém tem problema em usar um óculos mas quando se fala em usar um aparelho as pessoas ficam envergonhadas. Existe um preconceito muito grande. É que há 200 anos, uma criança surda e não diagnosticada, era colocada em manicômio. A surdez causa rejeição. Já a cegueira evoca sentimentos mais nobres, aprende-se a ser solícito com os cegos. Com surdo ninguém tem paciência”, diz Alves de Souza.

domingo, 1 de agosto de 2010

Como lidar com os distúrbios mentais na infância

João*, de 8 anos, não sorria para os familiares, não gostava de contato social e era agressivo com os pais. Conheça a história da mãe que teve de aprender a amar seu filho.

Os craques santistas Neymar, Paulo Henrique Ganso e Robinho são os três ídolos de João*, de 8 anos. Assim como muitos garotos da sua idade, ele adora futebol e toda semana se reúne com os coleguinhas de escola para jogar uma "pelada". "Sou meia-atacante", diz orgulhoso. Na vida de João, porém, o esporte é mais que uma paixão ou divertimento. É uma forma dele se socializar e superar as dificuldades de um grave transtorno de desenvolvimento que já trouxe muita preocupação para sua mãe, a engenheira química Cláudia*.

O filho tão desejado por Cláudia nasceu em um parto complicado. Por causa disso, ele teve de ficar internado durante dez dias antes de ir para casa com a mãe. Conforme crescia, João demonstrava um comportamento pouco comum: não sorria para os familiares, não gostava de contato social, era agressivo com os pais sem motivo, não reagia afetivamente e não falava. Para a família, tudo aquilo parecia natural, coisa de criança. Até que, ao completar 1 ano e 8 meses, ele passou a frequentar um berçário. No ambiente escolar, ficou evidente que havia algo de errado: João batia nas outras crianças, não gostava das professoras e evoluía de modo incompatível com a sua idade. Os profissionais do berçário recomendaram então que Cláudia procurasse ajuda médica.

Levado a um psicólogo, foi constatado que João apresentava traços de uma criança autista, apesar de não ter autismo. O diagnóstico: Transtorno Global do Desenvolvimento. Sob o nome, estão incluídos graves distúrbios emocionais e transtornos relacionados à saúde mental infantil. "Os problemas dessas crianças não vêm necessariamente de uma debilidade intelectual nem de uma debilidade física", afirma Maria Cristina Kupfer, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP) e estudiosa da psicose e autismo infantis há mais de vinte anos. "Seus problemas vêm de uma falha precoce no estabelecimento da relação com os outros."

Isso quer dizer que, para crianças como João, a construção do psiquismo voltado para o convívio social não se fez convenientemente. Nosso psiquismo (ou nossa personalidade) é construído para ser um instrumento de relação com os outros, uma espécie de porta aberta para o mundo. "A falha nesse processo é resultado de dificuldades, acidentes, entraves ou impasses ocorridos durante o processo de estruturação subjetiva da criança", diz a psicanalista Enriqueta Nin Vanoli, da equipe multidisciplinar da Associação Serpiá (Serviços Psicológicos para a Infância e Adolescência), de Curitiba (PR).

A análise do histórico de vida de João pode ajudar a entender como o problema se desenvolveu. Cláudia conta que o fato do menino não corresponder aos carinhos que recebia ainda bebê, evitar o seu olhar e não esboçar nenhum tipo de sentimento criou uma barreira entre ambos. Ela sonhara com um modelo ideal de criança a que João não correspondia. A frustração impedia uma proximidade, uma relação genuína de mãe e filho. "Era como se o João fosse uma criança qualquer. Apesar de estar ao seu lado fisicamente sempre, não conseguia me aproximar emocionalmente. Ele cresceu isolado de mim", afirma. Cláudia acredita que o problema no parto, de certa forma, criou uma ferida psicológica que marcou o garoto. "A verdade é que eu também tinha dificuldade de amar meu filho, talvez pelo meu histórico familiar. Cresci num ambiente em que as pessoas eram muito fechadas. Costumava me julgar uma pessoa carinhosa, mas dar carinho é diferente de dar amor."

O relato de Cláudia revela dois elementos que os especialistas costumam notar nos casos em que o Transtorno Global de Desenvolvimento é diagnosticado. Em primeiro lugar, há uma enorme dificuldade para os pais aceitar o não-olhar dos filhos, interpretado como falta de afeto por parte da criança. Em segundo lugar, o problema sempre envolve o menor e o adulto responsável por sua criação, ou seja, ele não pode ser concebido como um fenômeno que acontece com somente uma pessoa. “É preciso tomar cuidado, porém, para não culpar os pais, porque são coisas que não costumam passar pela consciência deles”, diz Jussara Falek Brauer, professora aposentada e coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas Psicanalíticas dos Distúrbios Graves na Infância do IP-USP. “A criança pode estar respondendo a algo de errado que está na mãe e que, às vezes, nem a própria mãe sabe que tem. Só por meio de análise é possível descobrir o que está acontecendo.”

Um estudo epidemiológico feito em 2008 pelo pesquisador americano Myron Belfer mostrou que até 20% das crianças e adolescentes sofrem de algum transtorno mental grave. Se for considerado o espectro autístico, pode-se falar em uma criança em cada 150, de acordo com a agência Centers for Disease Control e Prevention (ou CDC), do departamento de saúde e serviços humanos dos Estados Unidos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta uma taxa de 12% a 29% de prevalência de transtornos mentais na infância. De forma geral, a incidência de distúrbios como o de João é maior em meninos do que em meninas. Diagnosticar problemas psiquiátricos em crianças, no entanto, costuma ser difícil. "A partir de seis meses de idade, uma criança já pode mostrar sinais de autismo, como o não-olhar para a mãe, mas isso isoladamente não quer dizer que ela vá se tornar autista", afirma Maria Cristina. "É muito perigoso pegar um rótulo e colocar num bebê, porque ele vai procurar responder àquilo que todo mundo está falando que ele tem", diz Jussara.

Daí a necessidade de um diagnóstico feito por profissionais especializados. "Um bom acompanhamento médico é fundamental. Ele envolve um trabalho que deve considerar uma série de fatores, além da sutileza e singularidade de cada caso", diz Enriqueta. Foi o que aconteceu com João. Após a primeira consulta médica, ele já começou um tratamento que buscava reatar o diálogo perdido com os outros. Sua mãe também passou a se consultar com a mesma psicóloga responsável pelo acompanhamento do filho. "Nas sessões, eu aprendi como superar as minhas dificuldades de relacionamento com ele", afirma Cláudia.

Trabalhar a mãe e a criança com o mesmo profissional, mas em sessões individuais, é um dos segredos para o sucesso do tratamento. "Esse trabalho conjunto vai na direção da reconstituição da história familiar. A partir dele, tenta-se desfazer o emaranhado que cria problemas para a criança", afirma Jussara. A experiência da professora da USP mostra que 90% dos 105 menores que atendeu ao longo de sua pesquisa clínica na universidade deixaram de apresentar os sintomas que os levaram ao médico pela análise e correção do que havia de errado entre mãe e filho.

Seis anos após o início do tratamento, João leva hoje uma vida normal. Ele vai a uma escola comum – João está na segunda série do ensino fundamental de um colégio particular de São Paulo – , estuda inglês e, além de futebol, pratica natação e capoeira. Agora, convive bem socialmente, não se isola mais, gosta de conversar e qualquer dificuldade que tem recorre à ajuda da mãe. "Ele aprendeu a expressar muito bem o que sente. O distanciamento que existia antes acabou", diz Cláudia. Como João demorou para desenvolver seu lado social, o menino ainda apresenta algumas reações que não são adequadas, como querer exclusividade quando está brincando com um amiguinho.

Para mudar comportamentos como esse, ele frequenta duas vezes por semana a Associação Lugar de Vida, dedicada ao tratamento e à escolarização de crianças psicóticas, autistas e com problemas de desenvolvimento. Localizado no Butantã, na zona oeste de São Paulo, o Lugar de Vida iniciou suas atividades em 1990 como um serviço do Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade do IP-USP. Lá, João participa de Grupos de Educação Terapêutica (GETs) com outras crianças. Há dois focos de trabalho nos GETs: o primeiro compreende atividades como movimentação em brinquedos de grande porte, corridas, jogos de pátio com regras simples, encenação de pequenas peças, aprendizado de músicas e escuta de relatos de histórias – atividades, em geral, de cooperação grupal para o desenvolvimento do laço social; o segundo foco é na escrita e compreende atividades para o desenvolvimento do desenho, do grafismo e da superação das dificuldades de alfabetização. Para os pais, há uma reunião uma vez por semana em que eles podem conversar sobre os problemas dos filhos com a mediação de uma psicóloga. Nos encontros, compartilham suas dúvidas, obtêm esclarecimentos e trocam experiências."É bom participar desse tipo de reunião porque a gente percebe que não está sozinha nisso", afirma Cláudia.

Contar com o auxílio de bons profissionais e abraçar o problema para superá-lo – sem buscar um culpado – foram os principais elementos para a melhora do filho, segundo Cláudia. “Se o pai e a mãe não estão ali para ajudar, nada adianta. No começo, eu e meu marido ficamos muito atormentados com o que estava acontecendo, e juntos conseguimos enfrentar a situação”. A mãe coruja diz que João já sabe o que quer ser quando ficar mais velho: jogador de futebol do Santos, seu time do coração. O menino que antes não sabia se relacionar se apaixonou por um esporte em equipe e ensinou sua mãe a amá-lo.

* Os nomes foram trocados para preservar a identidade do menor e da mãe
  fonte: época

terça-feira, 20 de julho de 2010

EDUCAÇÃO DA CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWN

A educação é um fator fundamental na transformação do indivíduo e pode ocorrer tanto em situações informais quanto em situações formais.

Educação informal

A familia é o primeiro grupo social da criança e onde viverá a primeira inserção no mundo e terá suas primeiras experiências, pois os anos iniciais constituem um periodo crítico em seu desenvolvimento social, emocional e cognitivo.
O desenvolvimento das crianças com deficiência mental não depende só do grau em que são afetadas intelectualmente, pois numa visão mais sistêmica consideram-se vários fatores que interferem no desenvolvimento, dos quais o principal é o ambiente familiar.

A familia, em especial a mãe que reconhece a dependência da criança e se adapta às suas necesidades, oferece oportunidades para o bebê progredir no sentido da integração, do acúmulo de experiências, enfim do desenvolvimento.

Nos casos das crianças com SD, essas primeiras experiências podem ficar comprometidas pelo impacto que produz na familia a noticia de ter um filho com essa síndrome. Esse impacto pode dificultar que a mãe tenh reações de acorod com sua sensibilidade natural, impedindo que as primeiras experiências da criança ocorram satisfatoriamente.

A SD foi associada, por mais de um século, à condição de inferioridade. Apesar do conhecimento acumulado sobre a síndrome e das informações acessíveis, o estigma ainda está presente e se reflete tanto na imagem que os pais constroem de sua criança com SD como em sua reação a ela.

O nascimento de uma criança com SD, quando ocorre, instala-se uma crise familiar, que é uma reação normal, pois a familia precisa reajustar suas expectativas e planos a essa nova realidade, com a qual não contava.

Segundo alguns autores, existe um processo de luto adjacente, pela morte das expectativas do filho imaginado, quando do nascimento de uma criança disfuncional, que envolve quatro fases. Na primeira fase, há um entorpecimento com o choque e descrença. Na segunda, aparece ansiedade e protesto, com manifestação de emoções fortes e desejo de recuperar a pessoa perdida. A terceira fase caracteriza-se pela desesperança com o reconhecimento da imutalidade da perda. E finalmente a quarta fase traz uma recuperação, com gratidão acietação da mudança.

Em relação ao luto, alguns autores organizaram em cinco estágios as reações dos pais:

1 Reação de choque - As primeiras imagens que os pais formam da criança são baseadas nos significados anteriormente atribuídos à deficiencia.

2 Negação da síndrome - Tentando acreditar num possível erro de diagnóstico, associando traços da síndrome a traços familiares. Esta fase pode ajudar no primeiro momento, levando os pais a tratar a criança de forma mais natural, mas quando se prolonga compromete o relacionamento com a criança real.

3 Reação emocional inensa - Nesta fase, a certeza do diagnóstico gera emoções e sentimentos diversos: tristeza pela perda do bebê iamginado, raiva, ansiedade, insegurança pelo desconhecido, impotência diante de uma situação insustentável.

4 A ansiedade e a insegurança diminuem - As reações do bebê ajudam a compreender melhor a situação, já que não é tão estranho e diferente quanto os pais pensavam no início. Começa a existir uma possibilidade de ligação afetiva.

5 Envolve a reorganização da família com a inclusão da criança portadora da SD.  - Para se reorganizarem, os pais devem ressignificar a deficiência e encontrar algumas respostas para suas dúvidas.

Embora o choque seja inevitável, a maioria das famílias supera a crise e atinge o equilíbrio. A maneira como cada família se adapta à situação varia muito, pois depende das experiências anteriores e dos recursos internos de cada membro.

A qualidade da interação pais-filhos produz efietos importantes no desenvolvimento das áreas cognitivas, linguísticas e socioemocionais da criança com deficiência mental...


Educação formal
A educação formal é um processo importante na formação de todos os indivíduos. A escolarização tem como principal objetivo que os alunos aprendem a aprender e que saibam como e onde buscar a informação necessária. A educação pode ou não, tornar-se um instrumento transformador desses indivíduos, dependendo da filosofia que se utilizar na prática educacional.

(...) fonte: Inclusão Escolar de crianças com SD.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A verdadeira deficiência é aquela que prende o ser humano por dentro e não por fora, pois até os incapacitados de andar podem ser livres para voar.

   

Legislação que regulamenta a Educação Especial no Brasil

 



A inclusão surge, como uma alternativa à integração; bem como uma tentativa de eliminar as situações de exclusão em que se encontravam muitos alunos. A seguir, será apresentado um quadro relatando as principais diferenças entre os conceitos de Integração e Inclusão:

INTEGRAÇÃO
INCLUSÃO
- Competição
- Cooperação/solidariedade
- Seleção
- Respeito às diferenças
- Individualidade
- Comunidade
- Preconceitos
- Valorização das diferenças
- Visão individualizada
- Melhora para todos
- Modelo técnico-racional
- Pesquisa reflexiva                                                        
 








Fonte: Revista de Educação Especial 
 
Para concretizar estes objetivo deve-se direcionar e centrar-se nos quatro pilares básicos da educação:
  • Aprender a Conhecer: consiste em adquirir osinstrumentos que serequer para a compreensão do quenos cerca. Para isto, deve-secombinar o conhecimento de umacultura suficientemente ampla, comalgo mais objetivo, concreto referidoa uma determinada matéria. Não setrata, portanto, de adquirirconhecimentos classificados ecodificados, mas de ajudar a cadapessoa a compreender omundo que a cerca, para viver comdignidade, desenvolver suacapacidade profissional ecomunicar-se com os demais. Istosupõe aprender a aprender,exercitando a atenção, a memória eo pensamento, aproveitando aspossibilidades que a educaçãooferece, posto queo processo de aquisição doconhecimento, este sempre aberto,pode nutrir-se de novas experiências.
  • Aprender a Fazer: está diretamente ligado a aprender a conhecer e se refere à possibilidade de interagir sobre o próprio meio. Ocupa-se de como ensinar ao aluno a colocar em prática seus conhecimentos adaptando-os a um mercado de trabalho que, por diferentes circunstâncias, é bastante imprevisível. Portanto, é preciso formar as pessoas para trabalhar em equipe em variadas situações. Mas, é preciso lhes ensinar "o fazer" nos diferentes meios sociais e profissionais. Em suma, este princípio pretende possibilitar o desenvolvimento de sua capacidade de comunicar-se e trabalhar com os demais, enfrentando e solucionando os conflitos que possam ser apresentados a ele.
  • Aprender a Viver Juntos: trata-se de uns dos principais objetivos da educação contemporânea, pois supõe participação e cooperação com os demais em todas as atividades. Essa educação requer, sem dúvida, o desenvolvimento da compreensão com o outro, e a percepção de formas de interdependência, respeitando os valores do pluralismo, a compreensão mútua e a paz. Assim, luta contra a exclusão por meio de traçados que favorecem o contato e a comunicação entre os membros de grupos diferentes, em contextos de igualdade, por meio do descobrimento gradual do outro e do desenvolvimento de projetos de trabalho em comum.
  • Aprender a Ser: implica dotar cada pessoa de meios e pontos de referência intelectuais permanentes, que lhe permita compreender o mundo que a cerca e a comportar-se como um elemento responsável e justo. Assim, significa conferir, a cada ser humano, liberdade de pensamento, de juízo, de sentimentos e de imaginação para desenvolver-se em plenitude estética, artística, desportiva, científica, cultural e social, e a trabalhar com responsabilidade individual.
  • DESENROLAR HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL
    De acordo com reportagem publicada na Revista Nova Escola, Editora Abril (2009), o desenrolar da Educação Especial no Brasil segue em destaque a ordem relacionada.
    • 1854 – Problema Médico: Dom Pedro II funda o Imperial Instituto dos Meninos Cegos no Rio de Janeiro e não há preocupação com a aprendizagem.
    • 1948 – Escola para Todos: é assinada a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que garante o direito de todas as pessoas à Educação.
    • 1954 – Ensino Especial: é fundada a primeira Associação de Pais e amigos (APAE), na qual o ensino especial surge como opção para escola regular.
    • 1961 – LDB Inova: proclamada a lei de Diretrizes e Bases de Educação Nacional (LDB), a qual garante o direito da criança com deficiência à Educação, preferencialmente na escola regular.
    • 1971 – Retrocesso Jurídico: foi estabelecida a Lei nº5692/71 que determina "tratamento especial" para crianças com deficiência.
    • 1973 – Segregação: é criado o Centro Nacional de Educação Especial (CENESP) que tem a perspectiva de integrar os alunos que acompanhar o ritmo de estudos, os demais estudantes se ingressariam na Educação Especial.
    • 1988 – Avanço na Nova Carta: a Constituição estabelece a igualdade no acesso à escola. O Estado deve dar atendimento especializado, de preferência na rede regular.
    • 1989 – Agora é Crime: aprovada a Lei nº7853/89 que criminaliza o preconceito. Esta lei só entrou em vigor apenas em 1999.
    • 1990 – O Dever da Família; Direito Universal: o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece aos pais ou responsáveis a obrigatoriedade da matrícula dos filhos em rede pública.Com o Direito Universal, houve a Declaração Mundial de Educação para Todos reforça a Declaração Mundial dos Direitos Humanos e estabelece que todos devem ter acesso à Educação.
    • 1994 – Influência Externa; Mesmo Ritmo: a Declaração de Salamanca define políticas, princípios e práticas da Educação Especial e influi nas políticas públicas da Educação. No Mesmo Ritmo, a Política Nacional de Educação Especial condiciona o acesso ao ensino regular àqueles que possuem condições de acompanhar "os alunos ditos normais".
    • 1996 – LDB Muda Só Na Teoria: a Nova Lei atribui às redes de ensino o dever de assegurar currículo, métodos, recursos e organização para atender às necessidades dos educandos.
    • 1999 – Decreto nº3298: é criada a Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, e define a Educação Especial como ensino complementar.
    • 2001 – As Redes se Abrem; Direitos: a Resolução CNE/CEB2 divulga a criminalização da recusa em matricular crianças com deficiência, com isso aumentou o número de dessas crianças no ensino regular. Em relação aos direitos, o Brasil promulga a Convenção de Guatemala, que define como discriminação, com base na deficiência, o que impede o exercício dos direitos humanos.
    • 2002 – Formação Docente; Libras Reconhecida; Braile em Classe: aResolução CNE/CP1 define que o ensino superior deve preparar os professores na formação acadêmica para atender alunos com necessidades especiais. A Lei nº10436/02 reconhece a língua brasileira de sinais como meio de comunicação e expressão. Em relação ao Braile em Classe, houve a Portaria nº2278/02 que aprova normas para uso, o ensino, a produção e difusão do braile em todas as modalidades de Educação;
    • 2003 – Inclusão se Difunde: O Ministério da Educação (MEC) cria o Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade, que forma professores para atuar na disseminação da Educação Inclusiva;
    • 2004 – Diretrizes Gerais: o Ministério Público Federal reafirma o direito à escolarização de alunos com e sem deficiência no ensino regular;
    • 2006 – Direitos Iguais: convenção aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) estabelece que as pessoas com deficiência tenham acesso ao ensino inclusivo;
    • 2008 – Fim da Segregação; Curva Inversa; Confirmação: a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva define: todos devem estudar na escola comum. Já a Curva Inversa ocorreu devido o fato, pela primeira vez, o número de crianças com deficiência matriculadas na escola regular ultrapassa a quantidade das que se encontram na escola especial. Em 2008, ocorreu a confirmação, pois o Brasil ratifica a convenção dos direitos das pessoas com deficiência, da ONU, fazendo da norma parte da legislação nacional.
    Percebe-se que no Brasil a Educação Especial, passou várias reformas legislativas e políticas, mas não foi disponibilizado verbas sufuciente para a educação, principalmente para Educação Inclusiva, como as instituições especializadas, escolas para cegos, ou escolas para atender pessoas que apresentam deficiência mental, física, auditiva entre outras. Nota-se ainda, assim como para preparação de educadores da Educação Especial e Inclusiva, isso se nota pelo despreparo dos mesmos para trabalhar com essas pessoas. Como conclusão aponta-se as principais observações sobre o contexto do artigo.

terça-feira, 15 de junho de 2010

10 coisas que toda criança com autismo gostaria que você soubesse

1) Antes de tudo eu sou uma criança. Eu tenho autismo. Eu não sou somente "Autista". O meu autismo é só um aspecto do meu caráter.
Não me define como pessoa. Você é uma pessoa com pensamentos, sentimentos e talentos. Ou você é somente gordo, magro, alto, baixo, míope.
Talvez estas sejam algumas coisas que eu perceba quando conhecer você, mas isso não é necessariamente o que você é. Sendo um adulto, você tem algum controle de como se auto-define. Se quer excluir uma característica, pode se expressar de maneira diferente.
Sendo criança eu ainda estou descobrindo.Nem você ou eu podemos saber do que eu sou capaz. Definir-me somente por uma característica, acaba-se correndo o risco de manter expectativas que serão pequenas para mim.E se eu sinto que você acha que não posso fazer algo, a minha resposta naturalmente será: Para que tentar?

2) A minha percepção sensorial é desordenada. Interação sensorial pode ser o aspecto mais difícil para se compreender o autismo.
Quer dizer que sentidos ordinários como audição, olfato, paladar, toque, sensações que passam desapercebidas no seu dia a dia podem ser doloridas para mim.
O ambiente em que eu vivo pode ser hostil para mim. Eu posso parecer distraído ou em outro planeta, mas eu só estou tentando me defender.
Vou explicar o porquê: uma simples ida ao mercado pode ser um inferno para mim: a minha audição pode ser muito sensível.
Muitas pessoas podem estar falando ao mesmo tempo, música, anúncios, barulho da caixa registradora, celulares tocando, crianças chorando, pessoas tossindo, luzes fluorescentes.
O meu cérebro não pode assimilar todas estas informações, provocando em mim uma perda de controle. O meu olfato pode ser muito sensível.
O peixe que está à venda na peixaria não está fresco. A pessoa que está perto pode não ter tomado banho hoje. O bebê ao lado pode estar com uma fralda suja.O chão pode ter sido limpo com amônia. Eu não consigo separar os cheiros e começo a passar mal. Porque o meu sentido principal é o visual.
Então, a visão pode ser o primeiro sentido a ser super-estimulado. A luz fluorescente não é somente muito brilhante, ela pisca e pode fazer um barulho.
O quarto parece pulsar e isso machuca os meus olhos. Esta pulsação da luz cobre tudo e distorce o que estou vendo. O espaço parece estar sempre mudando.
Eu vejo um brilho na janela, são muitas coisas para que eu consiga me concentrar. O ventilador, as pessoas andando de um lado para o outro... Tudo isso afeta os meus sentidos e agora eu não sei onde o meu corpo está neste espaço.
 
3) Por favor, lembre de distinguir entre não poder (eu não quero fazer) e eu não posso (eu não consigo fazer) Receber e expressar a linguagem e vocabulário pode ser muito difícil para mim.
Não é que eu não escute as frases. É que eu não te compreendo.Quando você me chama do outro lado do quarto, isto é o que eu escuto "BBBFFFZZZZSWERSRTDSRDTYFDYT João".
Ao invés disso, venha falar comigo diretamente com um vocabulário simples: "João, por favor, coloque o seu livro na estante. Está na hora de almoçar". Isso me diz o que você quer que eu faça e o que vai acontecer depois. Assim é mais fácil para compreender.

4) Eu sou um "pensador concreto" (CONCRETE THINKER). O meu pensamento é concreto, não consigo fazer abstrações.Eu interpreto muito pouco o sentido oculto das palavras.
É muito confuso para mim quando você diz "não enche o saco", quando o que você quer dizer é "não me aborreça". Não diga que "isso é moleza, é mamão com açúcar" quando não há nenhum mamão com açúcar por perto e o que você quer dizer é que isso e algo fácil de fazer.Gírias, piadas, duplas intenções, paráfrases, indiretas, sarcasmo eu não compreendo.

5) Por favor, tenha paciência com o meu vocabulário limitado.Dizer o que eu preciso é muito difícil para mim, quando não sei as palavras para descrever o que sinto.
Posso estar com fome, frustrado, com medo e confuso, mas agora estas palavras estão além da minha capacidade, do que eu possa expressar. Por isso, preste atenção na linguagem do meu corpo (retração, agitação ou outros sinais de que algo está errado).
Por outro lado, posso parecer como um pequeno professor ou um artista de cinema dizendo palavras acima da minha capacidade na minha idade. Na verdade, são palavras que eu memorizei do mundo ao meu redor para compensar a minha deficiência na linguagem.
Por que eu sei exatamente o que é esperado de mim como resposta quando alguém fala comigo. As palavras difíceis que de vez em quando falo podem vir de livros, TV, ou até mesmo serem palavras de outras pessoas. Isto é chamado de ECOLALIA. Não preciso compreender o contexto das palavras que estou usando. Eu só sei que devo dizer alguma coisa.

6) Eu sou muito orientado visualmente porque a linguagem é muito difícil para mim.Por favor, me mostre como fazer alguma coisa ao invés de simplesmente me dizer. E, por favor, esteja preparado para me mostrar muitas vezes. Repetições consistentes me ajudam a aprender.
Um esquema visual me ajuda durante o dia-a-dia. Alivia-me do stress de ter que lembrar o que vai acontecer. Ajuda-me a ter uma transição mais fácil entre uma atividade e outra. Ajuda-me a controlar o tempo, as minhas atividades e alcançar as suas expectativas.
Eu não vou perder a necessidade de ter um esquema visual por estar crescendo. Mas o meu nível de representação pode mudar. Antes que eu possa ler, preciso de um esquema visual com fotografias ou desenhos simples. Com o meu crescimento, uma combinação de palavras e fotos pode ajudar mais tarde a conhecer as palavras.

7) Por favor, preste atenção e diga o que eu posso fazer ao invés de só dizer o que eu não posso fazer. Como qualquer outro ser humano não posso aprender em um ambiente onde sempre me sinta inútil, que há algo errado comigo e que preciso de CONSERTO.
Para que tentar fazer alguma coisa nova quando sei que vou ser criticado? Construtivamente ou não é uma coisa que vou evitar. Procure o meu potencial e você vai encontrar muitos! Terei mais que uma maneira para fazer as coisas.

8) Por favor, me ajude com interações sociais, pode parecer que não quero brincar com as outras crianças no parque, mas algumas vezes simplesmente não sei como começar uma conversa ou entrar na brincadeira. Se você pode encorajar outras crianças a me convidarem a jogar futebol ou brincar com carrinhos, talvez eu fique muito feliz por ser incluído.
Eu sou melhor em brincadeiras que tenham atividades com estrutura começo-meio-fim. Não sei como "LER" expressão facial, linguagem corporal ou emoções de outras pessoas. Agradeço se você me ensinar como devo responder socialmente.
Exemplo: Se eu rir quando Sandra cair do escorregador não é que eu ache engraçado. É que eu não sei como agir socialmente. Ensine-me a dizer: Você esta bem?.

9) Tente encontrar o que provoca a minha perda de controle.Perda de controle, "chilique", birra, mal-criação, escândalo, como você quiser chamar, eles são mais horríveis para mim do que para você. Eles acontecem porque um ou mais dos meus sentidos foi estimulado ao extremo.
Se você conseguir descobrir o que causa a minha perda de controle, isso poderá ser prevenido - ou até evitado. Mantenha um diário de horas, lugares pessoas e atividades. Você encontrar uma seqüência pode parecer difícil no começo, mas, com certeza, vai conseguir. Tente lembrar que todo comportamento é uma forma de comunicação.
Isso dirá a você o que as minhas palavras não podem dizer: como eu sinto o meu ambiente e o que está acontecendo dentro dele.

10) Se você é um membro da família me ame sem nenhuma condição.Elimine pensamentos como "Se ele pelo menos pudesse…" ou "Porque ele não pode…" Você não conseguiu atender a todas as expectativas que os seus pais tinham para você e você não gostaria de ser sempre lembrado disso.
Eu não escolhi ser autista. Mas lembre-se que isto está acontecendo comigo e não com você. Sem a sua ajuda a minha chance de alcançar uma vida adulta digna será pequena. Com o seu suporte e guia, a possibilidade é maior do que você pensa.
Eu prometo: EU VALHO A PENA. E, finalmente três palavras mágicas: Paciência, Paciência, Paciência. Ajuda a ver o meu autismo como uma habilidade diferente e não uma desabilidade. Olhe por cima do que você acha que seja uma limitação e veja o presente que o autismo me deu.
Talvez seja verdade que eu não seja bom no contato olho no olho e conversas, mas você notou que eu não minto, roubo em jogos, fofoco com as colegas de classe ou julgo outras pessoas? É verdade que eu não vou ser um Ronaldinho "Fenômeno" do futebol.
Mas, com a minha capacidade de prestar atenção e de concentração no que me interessa, eu posso ser o próximo Einstein, Mozart ou Van Gogh. Eles também tinham autismo, uma possível resposta para Alzaheim o enigma da vida extraterrestre
O que o futuro tem guardado para crianças autistas como eu, está no próprio futuro. Tudo que eu posso ser não vai acontecer sem você sendo a minha Base. Pense sobre estas "regras" sociais e se elas não fazem sentido para mim, deixe de lado. Seja o meu protetor seja o meu amigo e nós vamos ver ate onde eu posso ir.

CONTO COM VOCÊ!!!

Retirado do site: http://www.autimismo.com.br/
Nem especial, nem regular, nem pra "normais", nem pra "deficientes"...apenas educação, porque chegará o dia que educação será uma coisa só.

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